sexta-feira, 4 de maio de 2012

POLÍCIA MILITAR EM ESCOLAS DO RIO DE JANEIRO - OPINE

2/5/2012 às 18h32 - Atualizado em 2/5/2012 às 18h35

Noventa escolas no Rio de Janeiro terão segurança feita por PMs

Folha Vitória
Agência Estado
Redação Folha Vitória

Rio de Janeiro - Noventa escolas estaduais no Rio de Janeiro, 37 delas na capital, terão segurança feita por policiais militares armados que trabalharão no horário de folga do serviço regular. Os 400 PMs atuarão principalmente na porta e no entorno, mas poderão também entrar nas escolas, em caso de ocorrências graves, desde que haja um pedido da direção.

Coordenador do Programa Estadual de Integração da Segurança (Proeis), o coronel Odair de Almeida Lopes Júnior disse nesta quarta-feira, durante a assinatura do convênio entre as secretarias de Segurança e de Educação do Estado, que revistas de alunos só acontecerão "mediante solicitação bem fundamentada do diretor da escola e na presença dele". "Revista não é nossa prioridade. Só acontecerá em situação extrema", afirmou o oficial. Segundo o PM, os policiais tentarão coibir o aliciamento de alunos e a venda de drogas nas proximidades das escolas e poderão agir também em casos de bullying, além de organizar o trânsito. Durante a noite, trabalharão na vigilância para evitar invasão e roubo.

O coronel justificou o uso de armas pelos policiais: "O policial fardado e desarmado não é policial militar. A polícia não vai às escolas para constranger, mas para levar segurança". Segundo o coordenador, as escolas começaram nesta quarta-feira a receber os PMs, em caráter experimental. "Começamos com o projeto piloto e vamos ver os ajustes necessários", afirmou o secretário de Educação, Wilson Risolia.

Nas 90 escolas incluídas nesta primeira fase do projeto, estudam 115.490 alunos e trabalham 6.279 professores. O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame informou que, na semana que vem, os PMs passarão por três dias de treinamento, que terá como foco principal o trato com crianças e adolescentes. Segundo Beltrame, com um segundo trabalho oficializado na hora de folga, a tendência será de diminuir os "bicos", em que os PMs trabalham ilegalmente como seguranças, sem qualquer garantia trabalhista e "totalmente desamparados".

Escolhida para discursar em nome dos alunos, Aimée Pereira, de 17 anos, disse que espera, com os colegas, ter "uma visão diferenciada dos policiais" e lembrou a tragédia da escola municipal em Realengo (zona oeste) onde um ex-aluno assassinou 12 adolescentes, em abril do ano passado. "Não temos que temer os policiais, temos que temer os bandidos. Esperamos que situações como Realengo não aconteçam de novo", disse Aimée.

O governador Sérgio Cabral afirmou, em discurso, que "as 90 escolas vão ganhar outro nível de valor, os pais, os alunos e os professores terão outro nível de tranquilidade". Os policiais receberão R$ 200 por turno de oito horas trabalhado nas escolas, durante a folga, com limite de 12 turnos por mês. No caso dos praças, o pagamento será de R$ 150 por turno.

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